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Home > Publicações > Comunicados técnicos > O caruncho-do-café Araecerus fasciculatus
 
 
  O caruncho-do-café Araecerus fasciculatus  
     
  Dalva Gabriel
dalva@biologico.sp.gov.br
Centro Experimental Central do Instituto Biológico
 
 
Número 222 20/12/2016

 
     
 

O caruncho-do-café, Araecerus fasciculatus (DeGeer, 1775) (Coleoptera: Anthribidae), também conhecido por caruncho-das-tulhas, é uma praga cosmopolita, amplamente distribuída nas regiões tropicais e subtropicais. É incapaz de sobreviver em regiões temperadas, com invernos frios.

Devido a sua grande capacidade de voo, infesta os produtos desde o campo, continuando o dano durante o armazenamento. É um inseto polífago, considerado uma praga primária interna de grãos armazenados. Presente em mais de 136 produtos e culturas, em cerca de 40 países, pode causar danos em grãos de café, amêndoas de cacau, feijão, amendoim, milho (caules e grão), papaia, laranja, noz-moscada, mandioca, batata-doce, sementes de girassol, frutas secas, nozes em geral, especiarias, raízes e tubérculos secos, alguns alimentos processados e diversas sementes como as de leguminosas, oleaginosas e as da planta medicinal e inseticida Melia azedarach L.

No Brasil, o produto de maior importância econômica danificado por essa praga é o café armazenado, que pode provocar grandes prejuízos. Ataca tanto os grãos, como os despolpados e os beneficiados. O café envelhecido, com mais de 3 anos de armazenamento, é mais infestado que o café novo, especialmente se armazenado em condições de alta umidade. Distinguem-se os grãos danificados pelo orifício de saída do adulto (Fig.1). Além dos seus danos, abre caminho para o ataque de outros insetos e micro-organismos na parte afetada do grão, o que reduz consideravelmente seu valor comercial.

Apresenta o corpo robusto (besourinhos globosos). É muito ativo, mede de 3 a 5 mm de comprimento por 2 a 3 mm de largura e sua coloração é escura (varia de castanho a cinza-escuro) com manchas claras. Todo o corpo é recoberto por pelos brilhantes. As asas são ligeiramente mais curtas que o abdômen. As antenas apresentam os 3 segmentos distais alargados (Fig.2).

As fêmeas atingem a maturidade sexual 6 dias após a emergência, logo seguida de cópula e oviposição. Depositam os ovos sobre os grãos de café e, após 5 a 8 dias, as larvas nascem e penetram nos grãos, corroendo-os em diversas direções. Cada fêmea coloca de 130 a 140 ovos. Os ovos e as larvas são brancos. O período larval varia de 35 a 45 dias. Em geral, a larva (Fig.3) não se desenvolve em grãos com baixo teor de umidade. A pupa (Fig.4) é branca, mas escurece quando se aproxima a época de emergência do adulto. O período pupal é de 6 a 9 dias. A longevidade das fêmeas varia de 38 a 114 dias e esses insetos não resistem mais do que 15 dias sem alimentação. Em grãos de café, com temperaturas de 28 °C e 80% de umidade relativa, o ciclo biológico é de 46 a 66 dias.

Em Coffea canephora não se verificou o desenvolvimento de Araecerus fasciculatus, o que evidencia resistência dessa espécie de café a essa praga. C. canephora (Robusta), C. arabica e derivados de seu cruzamento interespecífico (Icatú Vermelho e Icatú Amarelo) demonstraram resistência ao caruncho-do-café.

A existência de feromônio de agregação, produzido pelos machos, foi relatada em 1998, no Brasil. A utilização de feromônios é promissora para o controle de pragas de grãos armazenados através de monitoramento de populações, coleta massal, supressão de acasalamento pelo confundimento e uso de armadilhas com inseticidas.

Para o controle preventivo recomendam-se:
1) armazenamento com nível de umidade adequado (temperatura e umidade dos grãos influem na conservação do grão armazenado);
2) higienização e limpeza de silos, depósitos e equipamentos;
3) eliminação de focos de infestação mediante a retirada, queima ou expurgo dos resíduos do armazenamento anterior;
4) pulverização das instalações que receberão os grãos, usando-se os produtos indicados, nas doses registradas e recomendadas;
5) evitar a mistura de lotes de grãos não infestados com outros já infestados, dentro do silo ou armazém.
É recomendável praticar o rodízio de grupos químicos de ingredientes ativos para evitar ou minimizar o desenvolvimento de resistência da praga aos inseticidas.

No tratamento curativo é indicado executar a fumigação e a proteção periódica contra reinfestação. Sempre que houver a presença de pragas nos grãos, deve-se fazer o expurgo, usando fosfina. Esse processo deve ser feito em armazéns, em silos de concreto, em câmaras de expurgo, em porões de navios ou em vagões, sempre com vedação total, observando-se o período mínimo de exposição de sete dias para o controle de todas as fases da praga e a dose indicada do produto.

Referências

CAFÉ CARUNCHO Disponível em www.agrolink.com.br/agricultura/problemas/caruncho_1918.html.  Acesso: 11 de jul. 2016.

CAMPOS, T. B. de. A importância do Instituto Biológico no desenvolvimento dos estudos sobre pragas de grãos armazenados. Biológico, São Paulo, v.70, n. 2, p.85-86, 2008.

GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.P.L.; BAPTISTA, G.C. DE; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIN, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S.; OMOTO, C. Entomologia Agrícola. Piracicaba: FEALQ. 2002. 920 p.

NOVO, J.P.S. Resposta olfativa do caruncho-do-café Araecerus fasciculatus (Deg.) (Coleoptera: Anthribidae) a feromônios. An. Soc. Entomol. Brasil, v.27, n.3, p.337-343, 1998.

NOVO, J.P.S.; GABRIEL, D.; FAZUOLI, L.C. Resistência de cultivares de café a Araecerus fasciculatus (DeGeer, 1775) (Coleoptera: Anthribidae). Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v. 66, n. 1, p. 27-30, 1999.

NUNES, J.L. da S. Controle de pragas em grãos armazenados. Disponível em www.agrolink.com.br/agrolinkfito/ControlePragas. aspx. Acesso: 11 de jul. 2016.

PEREIRA, P.R.V. da S.; SALVADORI, J.R. Identificação dos principais coleoptera (insecta) associados a produtos armazenados. Disponível em www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do75.pdf  Acesso: 13 de set. 2016.

 
 
Fig. 1 Grãos de café danificados por A. fasciculatus. Disponível: link -Acesso: 2-8-2
 
Fig. 2 Araecerus fasciculatus – adulto. Disponível: link - Acesso: 2-8-2016
 
Fig. 3 Araecerus fasciculatus – larva. Disponível: link - Acesso: 2-8-2016
 
Fig. 4 Araecerus fasciculatus – pupa. Disponível: link - Acesso: 31-10-2016.
 

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